
Estou tão cansado que aceitaria a morte como descanso. Morrer seria meu descanso maior, o mais profundo de todos. Eu estaria em um sono de mil anos, meu corpo estaria em repouso perpétuo. O descanso proporciona renovo, restituição de forças. Em contrapartida, a morte não te renova, pois nesta condição já não se volta ao estado anterior. Mas a morte, só a morte, tem valor de ouro neste instante. Necessito de uma morte suave para a minha doença do cansaço. Morrer é levemente eficaz quando se precisa, mas só quando se precisa muito. Não se pode voltar atrás, morrer é ter certeza do que se quer, ninguém pode pedir um descanso profundo sem ter plena convicção de que quer morrer, de que quer uma noite totalmente escura, sem espaço para a luz. A luz, o frio, a doença do cansaço são fatores imprescindíveis para se morrer com êxito. Vale a pena morrer, assim como vale viver. Para o descanso profundo eu preciso morrer. Por conseqüência, eu descanso e não volto a vida. Viver nesse cansaço é o preço que se paga para continuar acima da terra dura. Entre descansar e viver, o que preferes? Nenhum dos dois eu escolheria, me valeria de minhas forças e daria um sorriso para continuar vivendo asperamente.
Como vi num comentário anterior, eu também vou querer comprar um livro de sua autoria, de preferência, autografado.
ResponderExcluirParabéns Pedro.